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Os produtores de
15/01/2010-10:43

cavalos olímpicos



Com os Jogos Olímpicos de 2016 cresce a expectativa entre criadores nacionais para saber quem serão os fornecedores dos cavalos olímpicos no Rio de Janeiro

Era um dia como tantos outros em que um grupo de empresários se reunia numa tradicional hípica na capital paulista. Homens experimentados no mundo dos negócios, eles se questionavam sobre os parcos resultados do Brasil na modalidade adestramento ao longo das últimas décadas.
O ano era 2005 e entre eles selou-se um pacto, um projeto que visava construir um time de cavalos capaz de abastecer as necessidades nacionais e levar os cavaleiros brasucas às melhores pistas mundo afora.

Inicialmente, esse grupo foi apelidado de “os três mosqueteiros”. O time era composto por José Victor Oliva – ex-rei da noite paulistana e promotor do Camarote Brahma no Rio de Janeiro, considerado um dos homens fortes da indústria de entretenimento no País; Paulo Salles, à época presidente da Publics, uma das maiores agências de propaganda do Brasil; e Manuel Tavares, dono do Banco Lusobrasileiro e proprietário da cachaça Velho Barreiro. Juntou-se ao time o também publicitário Eduardo Fischer, cujo trabalho como criador é reconhecido internacionalmente. A estratégia constava de investimentos pesados que iam desde a contratação dos melhores técnicos internacionais até o envio de cavaleiros para os melhores circuitos da Europa. Deu certo. Além de assegurarem as vagas brasileiras no Pan de 2007, foram esses senhores os responsáveis por enviar três dos quatro cavalos que participaram dos Jogos Olímpicos de Pequim. Das cocheiras de Fischer, aliás, nasceu Relâmpago, 19º colocado na última olimpíada, o melhor resultado nacional na modalidade adestramento até hoje. Segundo ele, mesmo que um cavalo seja um “craque”, é preciso treiná-lo entre os melhores do mundo, para que se adapte a dificuldades semelhantes às dos principais torneios. “Só assim é possível saber quanto é preciso melhorar”, avalia. Já Manuel Tavares tem planos mais ambiciososo para o Rio de Janeiro.

Além de pretender fornecer os cavalos para a equipe brasileira, ele acredita que sua filha, Luiza Almeida, menina prodígio da equitação, estará entre os atletas. Ela já é a amazona mais jovem da história a participar de uma olimpíada: a de Pequim, no ano passado, aos 17 anos. “Antes do Rio ela tem a chance de participar de Londres 2012 e, se isso acontecer, chegará muito jovem e em sua terceira participação olímpica”, projeta.
Quem também tem trabalhado duro para manter uma criação em alto nível é Victor Oliva. No ano passado, um de seus cavalos, Nilo VO, esteve entre os destaques da delegação nacional. Contudo, ele aposta em outros para os próximos anos, como Portugal VO, que tem feito bonito nas pistas.

Paulo Salles também teve o gostinho de ver um de seus equinos classificado para Pequim e aposta no desenvolvimento da raça. Oceano do Top foi considerado um dos melhores cavalos nascidos no Brasil para a modalidade adestramento. O cavalo é cria do empresário Tonico Pereira em parceria com o técnico José Roberto Guimarães, das seleções medalha de ouro no vôlei em Barcelona (1992) e Pequim (2008).

Porém, entre os criadores brasileiros nenhum coleciona tantos títulos quanto Jorge Gerdau Johannpeter. Criador de cavalos de salto há quase 30 anos, de suas cocheiras nasceram dois medalhistas olímpicos: Cassiana Joter, medalha de bronze por equipe nos Jogos de Atlanta (1996), e Calei Joter, integrante da mesma equipe. Assim como Tavares pretende ver sua filha Luiza subindo ao pódio com um animal de sua criação, Gerdau já sentiu esse gostinho. Sobre a sela de Calei estava ninguém menos que André Johannpeter, que hoje é o CEO da indústria de aço de sua família.

Do mesmo modo que Jorge Gerdau passou o comando de seu império do aço para o filho André, a sucessão também começa em seu haras. Sua filha mais nova, Karina Johannpeter, 26 anos, já comanda as atividades de criação. “Ela terá plenas condições de melhorar o meu trabalho porque, como amazona, já me superou como cavaleiro”, diz Gerdau. Ela é postulante a uma vaga para os Jogos de Londres em 2012 e sonha com uma bela participação no Rio 2016, como amazona e criadora.

 

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