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A floresta de R$ 3 bilhões de
21/10/2009-13:34

Cristina Boner



Em 1992, Cristina Boner era apenas uma jovem e promissora empresária do ramo de tecnologia, em Brasília. Naquele mesmo ano, o criador da Microsoft, Bill Gates, o homem mais rico do mundo, veio ao Brasil pela primeira vez para se reunir com políticos e empresários. Cristina enxergou ali a oportunidade de sua vida. Alugou um avião monomotor e mandou que o piloto sobrevoasse a cidade carregando uma faixa com a seguinte mensagem: "Welcome, Bill Gates. TBA". Ele não apenas viu a faixa, como fez questão de conhecer a autora da homenagem.

Do encontro nasceu uma parceria com a Microsoft e um acordo de exclusividade para a venda do sistema Windows no País. Com isso sua empresa se transformou em um sucesso meteórico e, em 2009, deve registrar faturamento acima dos R$ 400 milhões. Bem-sucedida, Cristina continuou inquieta e criativa. E direcionou suas apostas para o agronegócio. Dona de duas fazendas localizadas em Unaí, em Minas Gerais, ela pretende fazer crescer na região uma extensa floresta de Teca, madeira nobre mais valorizada do que o mogno da Amazônia. Um projeto com o qual Do encontro nasceu uma parceria com a Microsoft e um acordo de exclusividade para a venda do sistema Windows no País. Com isso sua empresa se transformou em um sucesso meteórico e, em 2009, deve registrar faturamento acima dos R$ 400 milhões. Bem-sucedida, Cristina continuou inquieta e criativa. E direcionou suas apostas para o agronegócio. Dona de duas fazendas localizadas em Unaí, em Minas Gerais, ela pretende fazer crescer na região uma extensa floresta de Teca, madeira nobre mais valorizada do que o mogno da Amazônia. Um projeto com o qual.

Cristina pretende oferecer a qualquer pessoa, mesmo a quem não tem um palmo de terra, a oportunidade de entrar no mercado de plantio de árvores. "A produção de Teca pode ser uma ótima opção de aplicação financeira de longo prazo. As árvores são um verdadeiro tesouro que poucos estão enxergando", conta a empresária, que pretende usar como mote de venda o conceito de "aposentadoria verde". A animação deve-se ao alto valor que esse tipo de madeira possui no mercado. Suas toras chegam a custar US$ 3 mil o metro cúbico e sua rentabilidade é estimada em US$ 460 mil por hectare, ao final do ciclo de 25 anos. Para se ter uma ideia do tamanho desse negócio, se atingida a meta de 3,6 mil hectares plantados com Teca nos próximos anos, seu faturamento chegaria a R$ 3 bilhões. "Optamos pela Teca devido à rentabilidade. O preço do mogno, na mesma idade, não chega a US$ 500 o metro cúbico. No eucalipto, mesmo com o ciclo curto, o rendimento é até 60% menor. Além disso, a Teca não tem praga específica e seu manejo é simples", explica a empresária, que acaba de criar a Empresa Brasileira de Florestamento (EBF), responsável por tocar seus negócios rurais.

Para atrair investidores, Cristina pretende lançar mão de dois modelos de investimento, criados com base no ciclo produtivo da Teca.

Mesmo precisando de 25 anos para atingir seu ponto de corte, a produção da árvore exige que a cada cinco anos seja feita uma colheita. Assim, os rendimentos já começam a florescer a partir dos primeiros cinco anos de produção e vão crescendo junto com as árvores (leia gráfico na pagina seguinte). O melhor exemplo disso está no Fundo Florestal criado pela empresária. Segundo a EBF, a rentabilidade anual estipulada é de 15% no primeiro ano de investimento, 20% no segundo ano e, a partir do terceiro ano, de 25%. "Vamos entrar com a terra e o conhecimento técnico, além de atuar como tradings desses investidores.

A taxa de retorno é superior a praticamente todos os investimentos disponíveis no mercado", ressalta Cristina. Outro modelo é o sistema de condomínio florestal, que irá funcionar por meio da compra de um titulo de participação e o pagamento de uma taxa mensal de custeio. Os valores dessas taxas ainda não foram definidos, mas variam de acordo com a quantidade de módulos adquiridos, sendo que o mínimo para participar é a aquisição de um módulo, o que corresponde a um hectare.

"A grande vantagem desse modelo é que nós somos donos da terra e responsáveis pelo plantio, mas a produção é do investidor. A madeira é dele. Nossa estimativa é de um retorno de 20% ao ano, ao longo de 25 anos", pondera o diretor jurídico da EBF, Alexandre Gomes da Silva, que afirma se tratar de uma aposta segura. "Estamos criando uma brigada de incêndio e uma equipe treinada para garantir todo manejo da produção. Além disso, teremos seguro agrícola para garantir o pagamento aos investidores", diz.

Com o projeto, Cristina festeja a oportunidade que encontrou para finalmente tornar suas fazendas rentáveis. As propriedades não são exatamente novas e já estão na família há mais de 20 anos. Mas, mesmo abrigando algumas cabeças de gado de leite, elas nunca foram vistas como um negócio e sim uma área de lazer para a empresária e suas três filhas. Principalmente pela rentabilidade da produção de leite, que nunca provocou animação. Um perfil que ficou para trás, assim como o tempo em que a empresária viajava para a fazenda em um Fusca, abarrotado de malas, sementes e mudas de plantas. Hoje as duas fazendas, que somam uma área total de 1,3 mil hectares, já receberam investimentos da ordem de R$ 5 milhões e funcionam com sistemas profissionais. Desde que iniciou o plantio de Teca, em 2007, já são cerca de 104 hectares, plantados com 102 mudas.

"Até 2010 deveremos ter 800 hectares plantados e chegar a um milhão de árvores". Mas, no longo prazo, a ideia é chegar a pelo menos 3,6 mil hectares plantados e algo em torno de cinco milhões de árvores."Já estamos de olho em novas terras para expandir a produção e nos próximos anos devemos investir mais R$ 5 milhões em aquisições de áreas, compra de equipamentos e produção de mudas", explica Cristina, que também divide seu tempo na fazenda com outra paixão: sua criação do cavalo mangalarga marchador.

 

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